Porra Rainha!



Escrito por Ricardo às 20h25
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Sou um louco

Minha cabana de palha se ergue

logo a oeste da Ponte das Mil Milhas

este Riacho de Cem Flores

agradaria a um pescador solitário

bambu balança ao vento

graciosamente, como qualquer beleza da corte

chuva torna as flores de lótus

ainda mais vermelhas e fragrantes

mas eu não mais ouço de amigos

que vivem de salários principescos

minhas crianças estão sempre famintas

com faces pálidas e magras

será que um louco se torna ainda mais feliz

antes de morrer na sarjeta?

Eu rio de mim mesmo — um louco

envelhecendo, enlouquecendo

 

---- Du Fu (712-770)



Escrito por Ricardo às 19h22
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Escrito por Ricardo às 17h56
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Homero Icaza Sánchez (1925 - 2011)

POEMA NECESARIO

Tal vez por estar lejos tu presencia

más próxima se sienta que en los días

que desfilaba con zapatos nuevos,

un rifle de juguete sobre el hombro

y una sonrisa maternal de escudo.

Tal vez por estar lejos he aprendido

que tu amor se volvió resentimiento

porque no te guardé cuando te dabas

sin nada reclamar de mi inocencia.

Tal vez por estar lejos. Y por ello

me duele la certeza de saberte

inalcanzable y próxima a mi gesto,

atándome a tu suelo en la distancia

y alimentándome este amor con lágrimas.

¡Patria que no me dejas! Patria humana.

Guárdame una palmera y una playa

y el rostro de mi madre en la ventana,

que así podré morir imaginando

que te amé con amor de agua calmada.

[Pdf. http://bdigital.binal.ac.pa/bdp/tomos/XIX/Tomo_XIX.pdf ]



Escrito por Ricardo às 13h29
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i was dead and i wanted peace
then i was peaceful and not quite dead yet
then i was in my clothes
and i took them off and then
there was too much light
and night fell
then i wanted to talk to somebody
and i spoke ecstatically
and i was answered on time in every language
in a beautiful way
but i felt unloved and everyone
came to love me
still there is something running
and i can’t catch it
i am always behind

a grammar (Andrei Codrescu)



Escrito por Ricardo às 14h37
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A Língua Italiana...



A Língua Italiana...

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A Europa era uma confusão de inúmeros dialetos derivados do latim que aos poucos, ao longo dos séculos, se transformaram em alguns idiomas
distintos – francês, português, espanhol, italiano.

O que aconteceu na França, em Portugal e na Espanha foi uma evolução orgânica: o dialeto da cidade mais proeminente se tornou, aos poucos,
a língua oficial da região toda.

Portanto, o que hoje chamamos de francês é na verdade uma versão do parisiense medieval. O português é na verdade o lisboeta. O espanhol é
essencialmente o madrilenho. Essas são vitórias capitalistas; a cidade mais forte acabou determinando o idioma do país inteiro.

Na Itália foi diferente. Uma diferença importante foi que, durante muito tempo, a Itália sequer foi um país. Ela só se unificou bem tarde
(1861) e, até então, era uma península de cidades-Estado em guerra entre si, dominadas por orgulhosos príncipes locais ou por outras
potências européias. Partes da Itália pertenciam à França, partes à Espanha, partes à Igreja, e partes a quem quer que conseguisse
conquistar a fortaleza ou o palácio local.

O povo italiano se mostrava alternativamente humilhado e conformado com toda essa dominação. A maioria não gostava muito de ser colonizada
por seus co-cidadãos europeus, mas sempre havia aquele bando apático que dizia:“Franza o Spagna,  purchè se magna” que, em dialeto,
significa: “França ou Espanha, contanto que eu possa comer”.

Toda essa divisão interna significa que a Itália nunca se unificou adequadamente, e o mesmo aconteceu com a língua italiana. Assim, não é
de espantar que, durante séculos, os italianos tenham escrito e falado dialetos locais incompreensíveis para quem era de outra região.

Um cientista florentino mal conseguia se comunicar com um poeta siciliano ou com um comerciante veneziano (exceto em latim, que não
chegava a ser considerada a língua nacional).

No século XVI, alguns intelectuais italianos se juntaram e decidiram que isso era um absurdo. A península italiana precisava de um idioma
italiano, pelo menos na forma escrita, que fosse comum a todos. Então esse grupo de intelectuais fez uma coisa inédita na história da
Europa; escolheu a dedo o mais bonito dos dialetos locais e o batizou de italiano.

Para encontrar o dialeto mais bonito, eles precisaram recuar duzentos anos, até a Florença do século XIV. O que esse grupo decidiu que a
partir dali seria considerada a língua italiana correta foi a linguagem pessoal do grande poeta florentino Dante Alighieri.

Ao publicar sua “Divina Comédia”, em 1321, descrevendo em detalhes uma jornada visionária pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, Dante havia
chocado o mundo letrado ao não escrever em latim. Considerava o latim um idioma corrupto, elitista, e achava que o seu uso na prosa
respeitável havia “prostituído a literatura”, transformando a narrativa universal em algo que só podia ser comprado com dinheiro,
por meio dos privilégios de uma educação aristocrática. Em vez disso, Dante foi buscar nas ruas o verdadeiro idioma florentino falado pelos
moradores da cidade (o que incluía ilustres contemporâneos seus, como Boccaccio e Petrarca), e usou esse idioma para contar sua história.

Ele escreveu sua obra-prima no que chamava de dolce stil nuovo , o “doce estilo novo” do vernáculo, e moldou esse vernáculo ao mesmo
tempo que escrevia, atribuindo-lhe uma personalidade de uma forma tão pessoal quanto Shakespeare um dia faria com o inglês elizabetano.

O fato de um grupo de intelectuais nacionalistas se reunir muito mais tarde e decidir que o italiano de Dante seria, a partir dali, a língua
oficial da Itália seria mais ou menos como se um grupo de acadêmicos de Oxford houvesse se reunido um dia no século XIX e decidido que –
daquele ponto em diante – todo mundo na Inglaterra iria falar o puro idioma de Shakespeare. E a manobra realmente funcionou.

O italiano que falamos hoje, portanto, não é o romano ou o veneziano (embora essas cidades fossem poderosas do ponto de vista militar e
comercial), e sequer é inteiramente florentino. O idioma é fundamentalmente dantesco.

Nenhum outro idioma europeu tem uma linhagem tão artística. E, talvez, nenhum outro idioma jamais tenha sido tão perfeitamente ordenado para
expressar os sentimentos humanos quanto esse italiano florentino do século XIV, embelezado por um dos maiores poetas da civilização ocidental.

Dante escreveu sua “Divina Comédia” em terza rima, terça rima, uma cadeia de versos em que cada rima se repete três vezes a cada cinco
linhas, o que dá a esse belo vernáculo florentino o que os estudiosos chamam de “ritmo em cascata” -  ritmo esse que sobrevive até hoje no
falar cadenciado e poético dos taxistas, açougueiros e funcionários públicos italianos.

A última linha da “Divina Comédia”, em que Dante se depara com a visão de Deus em pessoa, é um sentimento que ainda pode ser facilmente
compreendido por qualquer um que conheça o chamado italiano moderno.

Dante escreve que Deus não é apenas uma imagem ofuscante de luz gloriosa, mas que Ele é, acima de tudo, l’amor che move Il sole e
l’altre stelle... “O amor que move o sol e as outras estrelas...”


Elizabeth Gilbert



Escrito por Ricardo às 14h53
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E porque não dissemos nada…
Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.

E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.

de: Eduardo Alves da Costa (erroneamente creditado ao poeta russo Vladimir Maiakovski)

 



Escrito por Ricardo às 11h30
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Insegnare a tradurre

Esperienze di didattica all’Università di Torino e una «modesta proposta»

http://rivistatradurre.it/?p=405

di Paola Brusasco, Maria Cristina Caimotto e Aurelia Martelli

"(...)Basti pensare al fatto che le traduzioni non sono considerate pubblicazioni valide ai fini concorsuali e che la maggior parte dei docenti di lingua che si occupano di traduzione non ha esperienza professionale nel campo né conoscenza diretta degli aspetti pratici del lavoro del traduttore(...)" 



Escrito por Ricardo às 16h03
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Profissão: Tradutor

Não sou professor, palestrante, literato, cientista, criador de sites, não represento agência de turismo ou agência de tradução, não sou dicionário ambulante.

Sou apenas e tão somente tradutor. (lembrando uma colega tradutora que postou essa frase no twitter: "sou tradutora, mas sou legal."). Sou tradutor mas tento ser legal. Procuro ser legal

Na medida do possível e nas CNTP (Condições Normais de Temperatura e Pressão). Se eu faço traduções de textos em espanhol isso não quer dizer que eu seja obrigado a traduzir, muito menos verter para o espanhol, tudo o que já publicaram em matéria de textos técnicos, médicos ou jurídicos.

Aqui em meu blog eu não posto textos de Tradutologia, deixo isso para quem é experiente e quem sabe mais sobre o assunto.



Escrito por Ricardo às 17h12
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O POETA

O poeta não gosta de palavras:
escreve para se ver livre delas.

A palavra
torna o poeta
pequeno e sem invenção.

Quando,
sobre o abismo da morte,
o poeta escreve terra,
na palavra ele se apaga
e suja a página de areia.

Quando escreve sangue
o poeta sangra
e a única veia que lhe dói
é aquela que ele não sente.

Com raiva,
o poeta inicia a escrita
como um rio desflorando o chão.
Cada palavra é um vidro em que se corta.

O poeta não quer escrever.
Apenas ser escrito.

Escrever, talvez,
apenas enquanto dorme.

Mia Couto

[Via http://pensador.uol.com.br/autor/Mia_Couto/]


Escrito por Ricardo às 19h35
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Nietzsche—The Lonely One

Verhaßt ist mir das Folgen und das Führen.

Gehorchen? Nein! Und aber nein—Regieren!

Wer sich nicht schrecklich ist, macht niemand Schrecken:

Und nur wer Schrecken macht, kann andre führen.

Verhaßt ist mirs schon, selber mich zu führen!

Ich liebe es, gleich Wald- und Meerestieren,

mich für ein gutes Weilchen zu verlieren,

in holder Irrnis grüblerisch zu hocken,

von ferne her mich endlich heimzulocken,

mich selber zu mir selber—zu verführen.

I detest following, but also leading.

To obey? Never! And just as bad—to govern!

He who wishes not to be terrified, will summon no terror for others:

Yet only he who peddles fear can lead others.

I even detest having to lead myself!

Like the creatures of the forest and the sea, I love

To lose myself for a while

In meek error thoughtfully to cower

Drawn home at length by distant things

Being enticed by myself to my Self.

Friedrich NietzscheDer Einsame (ca. 1882) in Gedichte und Sprüche p. 75 (1908)(S.H. transl.)



Escrito por Ricardo às 13h41
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Este lado da verdade

 


Para Llewlyn

Este lado da verdade,
Meu filho, tu não podes ver,
Rei de teus olhos azuis
No país que cega a tua juventude,
Que está todo por fazer,
Sob os céus indiferentes
Da culpa e da inocência
Antes que tentes um único gesto
Com a cabeça e o coração,
Tudo estará reunido e disperso
Nas trevas tortuosas
Como o pó dos mortos.

O bom e o mau, duas maneiras 
De caminhar em tua morte 
Entre as triturantes ondas do mar, 
Rei de teu coração nos dias cegos, 
Se dissipam com a respiração, 
Vão chorando através de ti e de mim

-trad. Ivan Junqueira - 

http://www.culturapara.art.br/opoema/dylanthomas/dylanthomas.htm

 



Escrito por Ricardo às 15h17
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Scott Walker

The Impossible Dream

(Leigh/Darion)

To dream the impossible dream
To fight the unbeatable foe
To bear, with unbearable sorrow
And run where the brave never go

To write the unwritable wrong
To love, pure and chaste from afar
To try, when your arms are too weary
To reach the unreachable star

This is my quest, to follow that star
No matter how hopeless, no matter how far
To fight for the right, without question or cause
To be willing to march into hell for a heavenly cause

And I know, if I'll only be true
To this gloriuos quest
That my heart will lie peaceful and calm
When I'm laid to my rest

And the world will be better for this
That one man, torn and covered in scars
Still strove with his last ounce of courage
To reach the unreachable star!!!

 

[Vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=2fc9w4gANlU



Escrito por Ricardo às 14h44
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Domínio de outra língua deve ir além do currículo

Ler, escrever e falar são habilidades colocadas em prática no dia a dia 

FLAVIA GALEMBECK
JULIANA CUNHA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA 

Conhecer outros idiomas é uma competência frequentemente exigida dos profissionais que disputam uma vaga no mercado ou ambicionam cargos mais elevados.
Quem coloca esse dado no currículo deve estar preparado para a parte prática, que envolve desde ler e redigir e-mails e relatórios em outra língua até fazer reuniões com clientes estrangeiros.
Em algumas multinacionais, escrever bem é indispensável para postos de chefia. No banco Santander, saber espanhol é fundamental para se comunicar com a equipe da matriz, em Madri.
Lá, é comum ter de escrever e-mails e documentos no idioma, comenta Paula Giannetti, superintendente de recursos humanos do banco.
Para ler apresentações e e-mails em espanhol, a coordenadora de seguros Paula Sabatine resolveu estudar espanhol há um ano e meio.
Na General Motors, é rotina usar o inglês para ler memorandos, manuais, procedimentos e dados referentes a sistemas de informática.
Assim, o candidato que domina o inglês leva vantagem em seleções, diz Márcia Santos, especialista do departamento de recursos humanos da empresa.

PONTO NA SELEÇÃO
Dependendo da origem da corporação, Adriana Gomes, coordenadora do ESPM Carreiras, sugere a quem atua em multinacional aprender a língua da matriz. "Mostra interesse pela cultura e alinhamento com a companhia."
Para ela, em um processo seletivo, quem fala, escreve e lê em outro idioma leva vantagem. "Mas, caso o profissional tenha uma "expertise" menor em uma dessas habilidades, isso deverá ser informado ao empregador", diz.
Segundo escolas de idiomas, os cursos de inglês e os de espanhol seguem sendo os mais procurados.
Túlio Tavernaro, gerente de projetos da área de marketing da Nestlé, é fluente nos dois, pois gerencia uma equipe que tem membros em diferentes países e implementa projetos nas subsidiárias do continente americano.
Também usa os idiomas em reuniões, visitas, conferências por telefone e work- shops que ministra.

[folha de s. paulo 28/01/2011]



Escrito por Ricardo às 11h10
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Cântico das Criaturas

Louvado sejas, meu Senhor
Com todas as tuas criaturas. 
Especialmente o senhor irmão Sol
Que clareia o dia
E com sua luz nos ilumina
E ele é belo e radiante,
Com grande  esplendor:
De ti, Altíssimo, é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor  
Pela irmã Lua e as Estrelas  
Que no céu formastes claras  
E preciosas e belas.   

Louvado sejas, meu Senhor
Pelo irmão Vento.
Pelo ar, nublado
Ou sereno, e todo o tempo
Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.

Louvado sejas, meu Senhor
Pela irmã Água
Que é muito útil e humilde
E preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite
E ele é belo e jovial
E vigoroso e forte

Louvado sejas, meu Senhor
Por nossa irmã, a mãe Terra
Que nos sustenta e governa
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.

[São Francisco de Assis, Século XIII]

 

Que todos os que acessam esse blog sejam iluminados neste ano de 2011. 

Abraços,



Escrito por Ricardo às 19h16
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